sábado, 7 de agosto de 2010

A mulher como um objeto - A escravidão da mulher em pleno século XXI



Seja bem-vindo ao "Pitacos & Devaneios".
Obra de Bruna Truffa da série "Território doméstico"

Nessa nossa primeira conversa - sim, conversa. O espaço está aberto a todos darem sua opinião que serão bem-vindas quantas mais forem para enriquecer nossa discussão - e nesta, gostaria de opinar sobre o estado de "objetualização" em que tantas mulheres brasileiras se encontram hoje em dia.

Uhul! Brasil: País das mulatas, das mulheres-frutas, do Carnaval. Que mal há, não é mesmo?! Muitos.

Me espanta, de verdade, que tantas mulheres que tanto lutaram em outra época para conseguirem a  tão sonhada e, diga-se de passagem, justa e inquestionável "igualdade entre os sexos" voltem a se submeter como objetos sem valor, sem outra utilidade que não uso! É uma pena que tantas mulheres e meninas brasileiras voltem, por livre e espontânea vontade a se submeter ao julgo de se "objetualizarem", de ofuscarem seu real valor, de se tornarem um objeto. De se submeterem a serem nada senão um corpo bonito. De se submeterem à completa falta de amor próprio, de respeito consigo mesmas. 

Quem já reparou nas Panicats do Pânico na TV? Programa acima da média pela qualidade e inovação de seus humoristas, mas que faz com que esses dividam espaço com garotas "siliconadas", que não fazem outra coisa senão se mexerem para a direita e para a esquerda, que não são utilizadas de um modo positivo, de modo a colaborar com o conteúdo do programa, são utilizadas abaixo de seu potencial. Elas sequer dançam!!! E os cinegrafistas vão explorando todos os ângulos possíveis de seus corpos esculturais. Você já reparou isso?! 

E por que o programa as usa?! Porque isso vende e dá audiência! 

Elas são como objetos, adornos, quase que perfeitos visualmente, que enfeitam o programa, como um quadro, mas que não falam, não opinam, simplesmente porque não têm o que falar, não têm o que opinar. Até os quadros têm o que dizer. Elas não! O que se explora dela é só o seu corpo. Só isso!

E o chamado Funk Carioca? E suas letras de péssimo gosto?! E suas danças apelativas e agressivas?!

Tomo para definir todo esse estilo musical o que Sidnei Garambone disse para definir a Dança do Créu:
"O Créu não é a voz do morro. Não é o ritmo popular. Não nasceu do nada. Nem da realidade diária do compositor. O Créu é a versão musical do axioma O mundo acabou há algum tempo e pouca gente percebeu"
Qualquer comentário que eu fizer sobre o citado acima será desnecessário! ;)

Independente de dogmas, teorias, ou religiões, só acredito que não somos obrigados a nos sujeitar a tudo que nos é imposto pela mídia. Que temos o direito de escolher entre o que achamos que agrega algo para nós e o que não agrega.

Não é nada novo o que estou dizendo. Não temos que ver coisas diferentes, mas ver as mesmas coisas com a lente trocada, de outra persepectiva, enxergando-as de outro modo. 

Queremos mulheres que falem, que riam, que se divirtam, que estudem, que trabalhem, que não hesitem em sair de casa só porque não se acham perfeitas como os padrões e a mídia impõem, que invistam mais em seu potencial que em seu corpo. Que sejam felizes... que sejam mais humanas!



Twitter do Blog: PitacoseDevanei (É só "Devanei" mesmo hahaha (nome muito longo =P)!)
Twitter do Autor: JeffsFernandes


3 comentários:

  1. Oie!
    Aqui é a Mirian!

    Puxa, muito bacana seu blog!

    O texto diz tudo. É muito ruim ser mulher em uma época na qual "podemos tudo", mas na verdade, "nada podemos" e somos taxas e vistas como objetos. Não somos! Somos seres humanos e merecemos respeito. Temos vontades, precisamos de amor e de carinho, como todos!

    Beijinhos

    ResponderExcluir
  2. Pois é Jefferson,
    No mundo "moderno", mulheres são corpos, homens são números.
    Os valores estão extremamente materializados, e o sucesso está definido de acordo com esses conceitos. Mulher de sucesso é bonita e homem de sucesso é rico. Arcaico, mas atualíssimo (infelizmente).
    É difícil encontrar gente que questione "COMO" esse sucesso é atingido, e "PARA QUÊ" ele é almejado.
    O ser humano foi colocado em segundo plano no último século, e precisa retomar a razão de sua existência, como ser humano, no século XXI.
    A ficha já está caindo para alguns, que estão percebendo que eles são mais do que o título que imprimem em seu cartão de visitas ou o tamanho da sua conta no banco. Eles são sua índole, seus valores pessoais, seus talentos, sua generosidade e seu respeito e carinho pelo próximo.
    Fica o convite para refletir: o sucesso que você quer é aquele pasteurizado, como o silicone das Panicats, ou aquele que atrai o sorriso de crianças - que são naturalmente capazes de detectar uma pessoa boa e bonita por dentro?

    ResponderExcluir
  3. Engraçado que ontem na aula discutimos sobre como algumas sociedades se destroem e u m dos pontos era que em muitos casos ela o fazia e sequer tinha noção que se destruía.

    Será que essa "perda de valores" pode de algum modo nos levar a um colapso?!

    Certamente, a convivência humana tende a se tornar muito animalesca e vil.

    Usar por usar.

    ResponderExcluir