terça-feira, 12 de outubro de 2010

Não há criatividade

(Nunca houve)
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Paleativos

Sua vida precisa
de doses de Whisky
para fazer sentido?

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sábado, 25 de setembro de 2010

Faça uma lista...

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A Lista

Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você já desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você


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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Autopsicografia, de Fernando Pessoa


O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente. 

E os que lêem o que escreve, 
Na dor lida sentem bem, 
Não as duas que ele teve, 
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda 
Gira, a entreter a razão, 
Esse comboio de corda 
Que se chama coração.


(Fernando Pessoa)





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sábado, 11 de setembro de 2010

Ligue seu controle remoto

Me diga aonde ir,
Me dê uma direção.
Ligue seu controle remoto,
meu coração precisa de um caminho para pulsar,
e preciso que ligue seu controle remoto
para achar algum caminho.

É tão duro estar sozinho,
e preciso mesmo seguir.
Não, não exijo compaixão!
Eu preciso dela. Mas sei que não a me dará.
É como todas as outras pessoas fizeram.
Meu coração está ferido,
e não tenho aonde ir.

Não fosse pela falta de escolhas,
Não imploraria por tua pena,
por tua misericórdia.
Mas Alice está infindamente caindo num buraco cada vez mais fundo.
E parece que a humanidade é dividida em dois grupos:
Os que usam e os que são usados.
Existe um código de anti-ética a ser respeitado.
E não me encaixando nele, sou punido com a exclusão.
Não existe gratuidade.

Não podendo fazer parte do primeiro grupo,
Me estou predispondo a ser usado por ti,
e pela vontade de tuas mãos.
Você é a criança ávida por seu boneco de corda.
E ele lhe foi dado.
Só te é exigido que o use:
Dê-lhe corda; diga-o aonde ir.

Ou melhor, me tem em suas mãos.
Faça o que quiser.

(Jefferson Fernandes)


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sábado, 7 de agosto de 2010

A mulher como um objeto - A escravidão da mulher em pleno século XXI



Seja bem-vindo ao "Pitacos & Devaneios".
Obra de Bruna Truffa da série "Território doméstico"

Nessa nossa primeira conversa - sim, conversa. O espaço está aberto a todos darem sua opinião que serão bem-vindas quantas mais forem para enriquecer nossa discussão - e nesta, gostaria de opinar sobre o estado de "objetualização" em que tantas mulheres brasileiras se encontram hoje em dia.

Uhul! Brasil: País das mulatas, das mulheres-frutas, do Carnaval. Que mal há, não é mesmo?! Muitos.

Me espanta, de verdade, que tantas mulheres que tanto lutaram em outra época para conseguirem a  tão sonhada e, diga-se de passagem, justa e inquestionável "igualdade entre os sexos" voltem a se submeter como objetos sem valor, sem outra utilidade que não uso! É uma pena que tantas mulheres e meninas brasileiras voltem, por livre e espontânea vontade a se submeter ao julgo de se "objetualizarem", de ofuscarem seu real valor, de se tornarem um objeto. De se submeterem a serem nada senão um corpo bonito. De se submeterem à completa falta de amor próprio, de respeito consigo mesmas. 

Quem já reparou nas Panicats do Pânico na TV? Programa acima da média pela qualidade e inovação de seus humoristas, mas que faz com que esses dividam espaço com garotas "siliconadas", que não fazem outra coisa senão se mexerem para a direita e para a esquerda, que não são utilizadas de um modo positivo, de modo a colaborar com o conteúdo do programa, são utilizadas abaixo de seu potencial. Elas sequer dançam!!! E os cinegrafistas vão explorando todos os ângulos possíveis de seus corpos esculturais. Você já reparou isso?! 

E por que o programa as usa?! Porque isso vende e dá audiência! 

Elas são como objetos, adornos, quase que perfeitos visualmente, que enfeitam o programa, como um quadro, mas que não falam, não opinam, simplesmente porque não têm o que falar, não têm o que opinar. Até os quadros têm o que dizer. Elas não! O que se explora dela é só o seu corpo. Só isso!

E o chamado Funk Carioca? E suas letras de péssimo gosto?! E suas danças apelativas e agressivas?!

Tomo para definir todo esse estilo musical o que Sidnei Garambone disse para definir a Dança do Créu:
"O Créu não é a voz do morro. Não é o ritmo popular. Não nasceu do nada. Nem da realidade diária do compositor. O Créu é a versão musical do axioma O mundo acabou há algum tempo e pouca gente percebeu"
Qualquer comentário que eu fizer sobre o citado acima será desnecessário! ;)

Independente de dogmas, teorias, ou religiões, só acredito que não somos obrigados a nos sujeitar a tudo que nos é imposto pela mídia. Que temos o direito de escolher entre o que achamos que agrega algo para nós e o que não agrega.

Não é nada novo o que estou dizendo. Não temos que ver coisas diferentes, mas ver as mesmas coisas com a lente trocada, de outra persepectiva, enxergando-as de outro modo. 

Queremos mulheres que falem, que riam, que se divirtam, que estudem, que trabalhem, que não hesitem em sair de casa só porque não se acham perfeitas como os padrões e a mídia impõem, que invistam mais em seu potencial que em seu corpo. Que sejam felizes... que sejam mais humanas!



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